A história da propaganda.

 

A história da propaganda:

Os principais fatos históricos e avanços no campo da propaganda sempre estiveram ligados de uma forma ou outra à Igreja ou as guerras…

 

Da antigüidade a revolução industrial.

Apesar de existirem relatos da utilização da propaganda no antigo estado Romano e até por ser uma expressão natural de um ser pensante e social, e que por tanto acompanhou a nossa raça em sua trajetória desde o inicio das formações dos primeiros agrupamentos humanos. Foi na Igreja Católica do século XVII que o termo “propaganda” foi utilizado pela primeira vez. Isto aconteceu quando o papa Gregório XV criou a Sagrada Congregação Católica Romana para a Propagação da Fé ou “sacra congregatio christiano nomini propaganda”.

Durante este período a igreja católica concentrava grande poder e a propaganda foi utilizada como ferramenta de propagação e manutenção da fé além de ser utilizada para conversão de povos pagãos. O entendimento que temos hoje sobre propaganda como sinônimo de semear e incutir idéias e ideais, vem deste período.

Com a reforma protestante, o surgimento da imprensa, das classes mercantis e mais tarde com a revolução industrial. A igreja passa a não ser mais a única a propagar idéias. As organizações não católicas começam a utilizar a propaganda como ferramenta de difusão de suas doutrinas e ideais.

A Primeira Guerra Mundial.

Foi a partir da Primeira Guerra Mundial que começamos a observar a propaganda sendo utilizada de forma mais ampla como uma ferramenta de guerra. O jornalista “Walter Lippman” e o psicólogo “Edward Bernays” foram contratados pelo governo Norte Americano para “trabalhar” a opinião pública de seu país. Os Americanos deveriam querer, desejar a entrada de seu país na guerra, ao lado de Inglaterra e contra a Alemanha.

O trabalho desenvolvido pelos dois foi um sucesso, atingiu plenamente os objetivos, foi criado em apenas seis meses um imenso repúdio ao povo alemão. Vendo o potencial da propaganda de massa em influenciar e controlar a opinião pública. “Edward Bernays” deu maior ênfase aos estudos da ciência e desenvolveu conceitos como: “mente coletiva” e “consenso fabricado”, conceitos estes que se tornaram importantes na criação e prática da propaganda de massa a partir de então.

A Segunda Grande Guerra.

 

 Durante a Segunda Guerra Mundial os conceitos de propaganda obtiveram grande avanço. Tanto por parte do ministério da propaganda Nazista (Ministério da Conscientização Pública e Propaganda) que tinha como primeiro ministro “Paul Joseph Goebbels”. Como pelo Comitê de Guerra Político-Executivo inglês que fez um ótimo trabalho.

Nos Estados Unidos à propaganda ficou por conta do Departamento de Informações de Guerra, criado como meio de divulgação dos esforços de guerra e órgão de censura as informações. De todos os lados havia forte censura e até as correspondências particulares eram vasculhadas.

Tanto os Ingleses quanto Norte Americanos, veiculavam propaganda preconceituosa visando instigar os soldados contra o inimigo. Certas peças de comunicação, por exemplo, retratavam os soldados japoneses e Alemães como pessoas sádicas, desprovidas de emoções e até estupradores. Este tipo de propaganda difundida sistematicamente para as forças aliadas, pode ser chamada de princípio da desumanização do inimigo. A propagação da idéia do inimigo não humano, incentiva o ódio e elimina responsabilidades, estimulando em conseqüência a prática de atrocidades.

No lado Alemão, mesmo antes da guerra com a tomada do poder pelo partido Nazista, houve forte censura aos meios de comunicação e artistas. As peças de propaganda, geralmente veiculadas em orquestração para melhorar sua efetividade, falavam sobre a superioridade racial Ariana e de todos os problemas causados para economia Alemã e mundial pelos povos judeus. Os judeus eram responsabilizados pela derrota na primeira guerra e descritos como usurpadores, racistas e estupradores.

Durante a guerra à propaganda alemã enfatizava o progresso das tropas no front e a superioridade de seus soldados, destacando a humanidade com que eram tratados os povos conquistados. E assim como os aliados, tentavam criar a idéia do inimigo desumano, os ingleses eram descritos como monstros, covardes e assassinos e Norte Americanos como bandidos de filme de “bang-bang”. Internacionalmente a propaganda Alemã sempre tentou afastar e colocar os aliados uns contra os outros, e principalmente tentava colocar o mundo contra os soviéticos.

No final da guerra e com o comando Alemão praticamente sem esperanças, as peças de comunicação começaram a ter como tema armas milagrosas que poderiam destruir o inimigo de uma só vez, um belo exemplo são os foguetes V1 e V2, chamados armas da vingança. Tentavam com este movimento levantar o moral de suas tropas ao mesmo tempo em que colocavam o medo dentro das linhas inimigas.

 

 

São atribuídas ao então ministro da propaganda “Paul Joseph Goebbels” frases como: “Para convencer o povo a entrar na guerra, basta fazê-lo acreditar que está sendo atacado…” “Se uma mentira se repete suficientemente, acaba por converter-se em verdade…” “Toda propaganda deve ser popular, adaptando seu nível ao menos inteligente dos indivíduos.” “Quanto maior seja a massa a se convencer, menor há de ser esforço mental a realizar.” “A capacidade receptiva das massas é limitada e sua compreensão escassa…” “As massas tem grande capacidade para esquecer…”

Uma das mais fortes armas da propaganda Nazista era a orquestração: As peças deveriam ser veiculadas ordenadamente em vários meios de comunicação, atingindo intensivamente o target com a mesma mensagem, varias vezes ao dia. A mensagem poderia sofrer alguma transformação, mas seu conteúdo deveria ser o mesmo. O cidadão deveria ser atingido pela mensagem de todos os lados, varias vezes ao dia.

Ainda é atribuído a Goebbels uma peça de comunicação veiculada logo após o suicídio do Führer, na qual era narrada a morte heróica de Hitler a frente de uma de suas derradeiras tropas e em defesa de sua nação. Logo depois, Goebbels comete suicídio juntamente com sua esposa e filhos.

 

 Propaganda na Guerra Fria.

Durante a Guerra Fria a propaganda foi utilizada largamente pelos dois regimes a idéia era projetar ao mundo a superioridade das propostas sociais dos regimes, ao mesmo tempo em que incutia a idéia de medo pelo regime oposto. Era normal em filmes Norte Americanos vermos o homem Soviético retratado de forma estereotipada como frio, forte e desumano, enquanto Americanos lutavam como heróis e venciam a batalha final, sempre com a imagem da bandeira nacional ao fundo.

Os Estados Unidos exaltavam seu estilo de vida livre. A idéia a ser propagada era: Norte-americanos são os representantes do bem e da liberdade lutando pelo mundo contra o mal e a opressão, representados pela URSS. A propaganda de governo Soviético por sua vez ressaltou a superioridade do seu regime frente ao imperialismo capitalista, com discurso sempre otimista com temas como: Sucesso nacional e produtividade.

A importância da propaganda já era exaltada por Lênin. As grandes construções e esculturas reforçavam a idéia da autoridade do estado e sucesso do regime. Havia forte censura em toda mídia. Filtravam-se notícias internacionais, chegando até a introduzir falsas noticias em seus noticiários.

 

Nas Américas, a Rádio Habana Cuba, por sua vez difundia a propaganda recebida da Rádio Moscou. A guerra do Vietnã foi um “prato feito” para campanhas anti-Americanas, dentro e fora de seu pais.

 

Atualmente.

Como já foi dito, os principais fatos históricos da propaganda sempre estiveram ligados à igreja ou as guerras. A Igreja Católica como precursora da propaganda continua a arrebanhar fieis com suas ferramentas. Reformulando e adequando sua linguagem e posicionamento através dos tempos.

No Brasil vemos Igrejas Evangélicas utilizando constante e sistematicamente a propaganda como forma de arrebanhar novos fieis. Algumas igrejas utilizam o “boca a boca” e outras lançam mão da propaganda de massa, veiculando programações inteiras na televisão. Existem princípios como o de células “G12″, onde a doutrina é propagada para pequenos grupos de 12 pessoas ligadas a um líder, posteriormente estas formarão novas células como líderes, arrebanhando mais e mais seguidores.